Vídeos sobre a história de Simão Dias

Segue abaixo alguns vídeos que estão atualmente publicados no YouTube que falam um pouco sobre a história e patrimônio cultural de Simão Dias. Obviamente que precisamos de mais produções! Mas já é um começo!

Entrevista concedida `a alunos do 3º ano do Ensino médio, em 2017, em trabalho de pesquisa realizado pelo professor Danilo de Geografia.

Fichamento – Vigiar e Punir – Michel Foucault

A obra de Michel Foucault que tem como título “Vigiar e Punir” é um estudo detalhado sobre a evolução do sistema penal. A visão analítica de Foucault sobre o mecanismo de punição constituiu uma grande contribuição para o estudo da criminologia. Ao utilizar um marco temporal relativamente longo, que analisa a aplicação das penas, durante o século XVII, XVIII, XIX e XX, o autor consegue demonstrar com um rigor científico, que o sistema penal é na verdade parte de grande sistema de dominação do poder exercido em um determinado momento histórico. Nesse sentido, a relevância da obra de Foucault é enorme, visto que, se trata de uma análise histórica, filosófica, sociológica e antropológica.

A obra é dividida em quatro partes, sendo a primeira parte sobre o “Suplicio”, modo de punição que perdurou durante o século XVII até meados do século XVIII, a segunda parte trata da “Punição”, a terceira parte “Disciplina”, e quarta e ultima parte sobre a “Prisão”.

Suplício

 

Na primeira parte, Foucault, utilizou dois capítulos. O primeiro capitulo – Trata do “Corpo dos Condenados”. Foucault analisa com profundidade a ritualística penal que utilizava a violência extrema contra os corpos, na punição contra os crimes no antigo regime. Foucault aponta que o sistema de suplícios tinha um objetivo: funcionar como um mecanismo de controle nas antigas monarquias. Logo, o corpo tinha uma importância política naquela conjuntura em que os suplícios ocorriam.

(…) Mas o corpo também está diretamente mergulhado num campo político; as relações de poder têm alcance imediato sobre ele; elas o investem, o marcam, o dirigem, o supliciam, sujeitam-no a trabalhos, obrigam-no a cerimônias, exigem-lhe sinais. Este investimento político do corpo está ligado, segundo relações complexas e recíprocas,à sua utilização econômica; é, numa boa proporção, como força de produção que o corpo é investido por relações de poder e de dominação; mas em compensação sua constituição como força de trabalho só é possível se ele está preso num sistema de sujeição (onde a necessidade é também um instrumento político cuidadosamente organizado, calculado e utilizado); o corpo só se torna força útil se é ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso. (FOUCAULT, 29 p.)

 

No Segundo Capitulo, da primeira parte, com o título: “A ostentação dos suplícios” o autor, ao utilizar vários relatos históricos demonstra como o processo penal tinha uma ritualista que visava reafirma o poder absoluto e inquestionável do monarca. No século XVII e XVIII, a crueldade da pena deveria ser diretamente proporcional ao poder real, ou seja, o martírio, a tortura, a duração do suplício, o flagelo humano deveriam ser intenso, para que servisse como exemplo para os súditos, do alcance do poder real e do seu poder avassalador. Por esse motivo, e que os crimes eram apenados em praça pública, e constituíam um ritual público de violência extrema. Esse ritual simbólico de suplícios tinha a função de prevenção geral negativa de pena, como podemos ver no relato:

O suplício penal não corresponde a qualquer punição corporal: é uma produção diferenciada de sofrimentos, um ritual organizado para a marcação das vítimas e a manifestação do poder que pune: não é absolutamente a exasperação de uma justiça que, esquecendo seus princípios, perdesse todo o controle. Nos “excessos” dos suplícios, se investe toda a economia do poder. (FOUCAULT, 37 p.)

 

Punição

 

No capitulo que trata sobre a punição, Foucault divide a temática em dois capítulos. O capitulo I, trata de “A punição Generalizada”, e o capítulo II, “A mitigação das penas”.

Já no final do século XVIII, os suplícios públicos passam a ter um efeito contrário de sua finalidade. O que antes servia para representar o poder real passa a depreciar a imagem do monarca. Soma-se a esse processo, as ideias iluministas, e a crítica ao absolutismo.   Surge um novo paradigma de legitimação do poder estatal. A burguesia impõe um novo modelo econômico, o “capitalismo” e consequentemente um novo contrato social. O cárcere passa a ser o principal mecanismo de manutenção da lei e da ordem. Numa economia de mercado há vulnerabilidade onde ocorre uma grande circulação de mercadorias, e diante o perigo constante de roubos ou pilhagens se faz necessário um aparato repressivo e novos bens jurídicos. O foco da punição deixa de ser o corpo do condenado, e passa a ser a alma.

O objetivo do cárcere passa a ser a ressocialização dos indivíduos. Foucault descreve essa mudança histórica:

Deslocamento então na mecânica do exemplo: numa penalidade de suplício, o exemplo era a réplica do crime; devia, por uma espécie de manifestação geminada, mostrá-lo e mostrar ao mesmo tempo o poder soberano que o dominava; numa penalidade calculada pelos seus próprios efeitos, o exemplo deve-se referir ao crime, mas da maneira mais discreta possível; indicar a intervenção do poder mas com a máxima economia, e no caso ideal impedir qualquer reaparecimento posterior de um e outro. O exemplo não é mais um ritual que manifesta, é um sinal que cria obstáculo. Através dessa técnica dos sinais punitivos, que tende a inverter todo o campo temporal da ação penal, os reformadores pensam dar ao poder de punir um instrumento econômico, eficaz, generalizável por todo o corpo social, que possa codificar todos os comportamentos e consequentemente reduzir todo o domínio difuso das ilegalidades. A semiotécnica com que se procura armar o poder de punir repousa sobre cinco ou seis regras mais importantes. (FOUCAULT, 114 p.)

Regra da quantidade mínima: Um crime é cometido porque traz vantagens. Se à ideia do crime fosse ligada a ideia de uma desvantagem um pouco maior, ele deixaria de ser desejável. (FOUCAULT, 114 p.)

 

Regra da idealidade suficiente: Se o motivo de um crime é a vantagem que se representa com ele, a eficácia da pena está na desvantagem que se espera dela. O que ocasiona a “pena” na essência da punição não é a sensação do sofrimento, mas a idéia de uma dor, de um desprazer, de um inconveniente — a “pena” da ideia da “pena”. (FOUCAULT, 114 p.)

 

Regra dos efeitos laterais: A pena deve ter efeitos mais intensos naqueles que não cometeram a falta; em suma, se pudéssemos ter certeza de que o culpado não poderia recomeçar, bastaria convencer os outros de que ele fora punido. Intensificação centrífuga dos efeitos que conduz ao paradoxo de que, no cálculo das penas, o elemento menos interessante ainda é o culpado (exceto se é passível de reincidência). (FOUCAULT, 115 p.)

 

Regra da certeza perfeita: É preciso que, à ideia de cada crime e das vantagens que se esperam dele, esteja associada a ideia de um determinado castigo, com as desvantagens precisas que dele resultam; é preciso que, de um a outro, o laço seja considerado necessário e nada possa rompê-lo. Esse elemento geral de certeza que deve dar eficácia ao sistema punitivo implica num certo número de medidas precisas. Que as leis que definem os crimes e prescrevem as penas sejam perfeitamente claras, “a fim de que cada membro da sociedade possa distinguir as ações criminosas das ações virtuosas”. (FOUCAULT, 115 p.)

 

Regra da verdade comum. A verificação do crime deve obedecer aos critérios gerais de qualquer verdade. Como uma verdade matemática, a verdade do crime só poderá ser admitida uma vez inteiramente comprovada. Segue-se que, até à demonstração final de seu crime, o acusado deve ser reputado inocente; e que, para fazer a demonstração, o juiz deve usar não formas rituais, mas instrumentos comuns, essa razão de todo mundo, que é também a dos filósofos e cientistas. (FOUCAULT, 116, 117 p.)

 

Regra da especificação ideal: Para que a semiótica penal recubra bem todo o campo das ilegalidades que se quer reduzir, todas as infrações têm que ser qualificadas; têm que ser classificadas e reunidas em espécies que não deixem escapar nenhuma ilegalidade. É então necessário um código, e que seja suficientemente preciso para que cada tipo de infração possa estar claramente presente nele. A esperança da impunidade não pode se precipitar no silêncio da lei. É necessário um código exaustivo e explícito, que defina os crimes, fixando as penas. (FOUCAULT, 118p.)

 

O processo de mitigação das penas reconfigurou totalmente o sistema penal. O procedimento de punição deixa de ser os jogos de representação do poder, passando a ser um procedimento discreto, em que o agente de punição tem total controle, ou seja, nenhum terceiro pode vir a perturbar ou se envolver. Trata-se do imperativo do segredo. Trata-se agora de uma técnica, com suas normas. A prisão se torna então a institucionalização do poder de punir, ou mais precisamente, o poder de punir. A instituição carcerária visa aplicar uma técnica de coerção dos indivíduos e não meramente punição e vingança.

 

Quanto aos instrumentos utilizados, não são mais jogos de representação que são reforçados e que se faz circular; mas formas de coerção, esquemas de limitação aplicados e repetidos. Exercícios, e não sinais: horários, distribuição do tempo, movimentos obrigatórios, atividades regulares, meditação solitária, trabalho em comum, silêncio, aplicação, respeito, bons hábitos. E finalmente, o que se procurar e construir nessa técnica de correção não é tanto o sujeito de direito, que se encontra preso nos interesses fundamentais do pacto social: é o sujeito obediente, o indivíduo sujeito a hábitos, regras, ordens, uma autoridade que se exerce continuamente sobre ele e em torno dele, e que ele deve deixar funcionar automaticamente nele. Duas maneiras, portanto, bem distintas de reagir à infração: reconstituir o sujeito jurídico do pacto social — ou formar um sujeito de obediência dobrado à forma ao mesmo tempo geral e meticulosa de um poder qualquer. (FOUCAULT, 148p.)

 

Disciplina

 

A terceira parte, composta por três capítulos, o primeiro: “Corpos Dóceis”, o segundo: “Os recursos para o bom adestramento”, e o terceiro  e último: “O Panoptismo”. Nessa parte do livro, Foucault revela qual o objetivo da instituição penal, que seria em teoricamente, impor uma disciplina, que seja capaz de moldar comportamentos. Para ele seria um adestramento. O que chama mais a atenção é que ao analisar o sistema penitenciário, o autor demonstra também que outras instituições como; escolas, igrejas, seminários e fábricas apresentam também, uma série de procedimentos normativos que visam educar, condicionar e adestrar os indivíduos para que fiquem aptos a desempenhar papéis sociais característicos e predominantes de um determinado sistema econômico, resultante de um momento histórico, modo de produção, ou ideologia. Logo para o autor o sistema penal seria só mais um mecanismo de controle, entre vários outros para manter a estabilidade do sistema econômico, político, e social de uma determinada época histórica, como afirma no trecho descrito abaixo:

 

Muitas vezes se afirma que o modelo de uma sociedade que teria indivíduos como elementos constituintes é tomada às formas jurídicas abstratas do contrato e da troca. A sociedade comercial se teria representado como uma associação contratual de sujeitos jurídicos isolados. Talvez. A teoria política dos séculos XVII e XVIII parece com efeito obedecer a esse esquema. Mas não se deve esquecer que existiu na mesma época uma técnica para constituir efetivamente os indivíduos como elementos correlates de um poder e de um saber. O indivíduo é sem dúvida o átomo fictício de uma representação “ideológica” da sociedade; mas é também uma realidade fabricada por essa tecnologia específica de poder que se chama a “disciplina”. Temos que deixar de descrever sempre os efeitos de poder em termos negativos: ele “exclui”, “reprime”, “recalca”, “censura”, “abstrai”, “mascara”, “esconde”. Na verdade o poder produz; ele produz realidade; produz campos de objetos e rituais da verdade. O indivíduo e o conhecimento que dele se pode ter se originam nessa produção. (FOUCAULT, 218p.)

Outro ponto importante nesse capítulo é a análise feita sobre o “Panóptico de Bentham”. O panóptico nada mais é do que um arranjo arquitetônico, em que a construção é disposta em forma de anel. Na parte central do circulo fica a torre de observação, onde é colocada a vigilância. Nesse projeto a vigilância fica discreta ou camuflada, o que possibilita observar todas as celas, distribuídas lado a lado na circunferência. O modelo acabou servido de inspiração para várias penitenciarias na França e em outros países. Esse modelo também serviu de inspiração para a construção de fábricas, escolas e hospitais. E o que consiste essa tecnologia? Trata-se de criar um ambiente de vigilância e monitoramento constantes. Nesses ambientes o individuo ao se sentir observado, acaba mantendo a disciplina. O que é mais interessante nessa analise é que Foucault, fala de uma experiência que acabou sendo amplificada pelas novas tecnologias atualmente, ou seja, hoje com câmaras de filmagem e monitoramento ligadas 24 horas nos mais diversos locais, possibilitam a execução do modelo proposto pelo panóptico com grande eficiência, sem mesmo necessitar que a construção siga os modelos arquitetônicos necessários para a implantação da técnica de observação. Obviamente, hoje a observação diária usando os mais avançados recursos tecnológicos possibilitam, a manutenção da ordem, da disciplina, e, sobretudo, do controle da criminalidade, bem como, da obtenção de provas contra ilicitudes.

 

Prisão

 

A quarta e última parte da obra, e dividida em quatro capítulos: Capítulo I— Instituições completas e austeras; Capítulo II — Ilegalidade e delinquência; Capítulo. III — O carcerário.

Ao analisar a prisão, Foucault afirma que a mesma foi constituída para ser um aparelho disciplinar exaustivo, ou seja, deve tomar a seu cargo todos os aspectos do indivíduo (treinamento físico, trabaho, moral). A ação sobre o indivíduo deve ser ininterrupta, ou seja, disciplina incessante. Para isso deveria seguir os seguintes princípios:

1-) Primeiro princípio: o isolamento.

…o isolamento dos condenados garante que se possa exercer sobre eles, com o máximo de intensidade, um poder que não será abalado por nenhuma outra influência; a solidão é a condição primeira da submissão total. (FOUCAULT, 265 p.)

 

2-) Segundo princípio: O trabalho

O trabalho penal deve ser concebido como sendo por si mesmo uma maquinaria que transforma o prisioneiro violento, agitado, irrefletido em uma peça que desempenha seu papel com perfeita regularidade. A prisão não é uma oficina; ela é, ela tem que ser em si mesma uma máquina de que os detentos-operários são ao mesmo tempo as engrenagens e os produtos; ela os “ocupa” e isso continuamente, mesmo se fora com o único objetivo de preencher seus momentos. Quando o corpo se agita, quando o espírito se aplica a um objeto determinado, as ideias importunas se afastam, a calma renasce na alma. (FOUCAULT, 268p.)

3-)Terceiro princípio: Modulação das penas

Assim para a duração do castigo: ela permite quantificar exatamente as penas, graduá-las segundo as circunstâncias, e dar ao castigo legal a forma mais ou menos explícita de um salário; mas corre o risco de não ter valor corretivo, se for fixada em caráter definitivo, ao nível do julgamento. A extensão da pena não deve medir o “valor de troca” da infração; ela deve se ajustar à transformação “útil” do detento no decorrer de sua condenação. Não um tempo-medida, mas um tempo com meta prefixada. Mais que a forma do salário, a forma da operação. (FOUCAULT, 272 p.)

 

Foucault ao analisar a prisão, coloca em pauta a questão da reincidência. Ao analisar esse fenômeno, o autor observa que há uma tendência de ocorrência com a maioria dos detentos.  Se a prisão é um sistema que provoca reincidências, porque o sistema é mantido pelo poder estatal? O autor tem uma tese interessante sobre esse fenômeno.

Observando que a prisão favorece a organização de um meio social de delinquentes solidários entre si, hierarquizados, prontos para todas as cumplicidades futuras, jovens delinquentes de primeira condenação, nem sempre conseguem sair do sistema prisional recuperados. Pelo contrário, quase sempre o delinquente acaba se envolvendo mais ainda com a criminalidade, o que pode ser apontado como uma vulnerabilidade desse sistema. As prisões acabam sendo verdadeiras escolas do crime prontas para amplificar comportamentos delinquentes em criminosos profissionais. As prisões brasileiras são exemplos da falência desse sistema, comprovando claramente a tese de Foucault, de que o sistema prisional, dificilmente recupera o detento. Quase sempre o presidiário ao sair do sistema é lançado novamente na vida do crime, seja por compromissos e comprometimentos firmados na comunidade carcerária, seja também, por não haver políticas publicas de ressocialização de presos. Violentado pelo preconceito social, os ex-detentos quase sempre voltam a delinquir. A prisão também fabrica delinquentes ao fazer cair na miséria a família do detento.

Para o autor o sistema penitenciário existe para punir os crimes da população mais humilde, ou seja, a delinquência. Isso explica, porque nas penitenciarias estariam predominantemente abrigando no cárcere; negros, pobres, jovens, bem como, os menos escolarizados, logo, o sistema tem uma função de contenção social. Foucault afirma:

 

A lei e a justiça não hesitam em proclamar sua necessária dissimetria de classe. (…)Em resumo, se a oposição jurídica ocorre entre a legalidade e a prática ilegal, a oposição estratégica ocorre entre as ilegalidades e a delinquência.(…) O atestado de que a prisão fracassa em reduzir os crimes deve talvez ser substituído pela hipótese de que a prisão conseguiu muito bem produzir a delinquência, tipo especificado, forma política ou economicamente menos perigosa — talvez até utilizável — de ilegalidade; produzir os delinquentes, meio aparentemente marginalizado mas centralmente controlado; produzir o delinquente como sujeito patologizado. O sucesso da prisão: nas lutas em torno da lei e das ilegalidades, especificar uma “delinquência”. Vimos como o sistema carcerário substituiu o infrator pelo “delinquente”. E afixou também sobre a prática jurídica todo um horizonte de conhecimento possível. Ora, esse processo de constituição da delinquência-objeto se une à operação política que dissocia as ilegalidades e delas isola au. A prisão é o elo desses dois mecanismos; permite-lhes se reforçarem perpetuamente um ao outro, objetivar a delinquência por trás da infração, consolidar a delinquência no movimento das ilegalidades. (FOUCAULT, 304 p.)

 

Para Foucault, com a delinquência sob controle, a criminalidade torna-se uma das engrenagens do poder, pois o sistema prisional funcionaria como um mecanismo de controle social, visto que, todo a aparato de repressão funcionaria como uma válvula de contenção para possíveis crises sociais do sistema capitalista. Esse sistema repressivo tem sua utilidade nos sistema: a percepção de que há um controle institucional do Estado. Essa percepção se dá com os noticiários policiais, os jornais, as crônicas do crime, a campanha de ódio contra criminosos, que cria o ambiente de guerra simulado entre a sociedade vitimizada e uma horda de criminosos sem rosto, que não aceitam as leis do sistema, e que por esse motivo provocariam a sua instabilidade.

Em suma, a obra de Foucault permite ao leitor uma visão profunda e crítica do sistema prisional, possibilitando entender como se originou o sistema penal, e como a sua estrutura e organização está ligado ao modo de produção predominante em uma determinada época, e como esse sistema serve a classe social dominante. A obra de Foucault é uma obra fundamental para a criminologia e as ciências sociais. Obviamente conhecer essa obra possibilita enxergar com maior clareza os interesses que justificam a manutenção do sistema penal vigente.

 

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: Nascimento da prisão. Edição 20ª. Petrópolis, RJ. Editora Vozes. 1999.

Personalidades Simãodienses – Prof. Udilson

Simão Dias é uma cidade de grandes personalidades no cenário sergipano. A cidade tem sido chamada de um “celeiro de políticos”. No entanto, há outras personalidades que nos representam, tanto a nível estadual, como a nível local. Precisamos conhecê-las! Vou destacar alguns nomes por aqui, com vocês: Professor Udilson!

A personalidade simãodiense que tecerei comentários nesse texto é conhecido por todos como “Professor Udilson”, ou seja, incorporou ao nome o título da profissão que desempenhou por toda a vida até aposentadoria. Mas apesar do título dominante de professor, desempenhou durante muitos anos na administração municipal simãodienses funções administrativas, sendo funcionário público indispensável para a assessoria dos gestores, devido a sua enorme competência nas mais diversas áreas do conhecimento.  

Trata-se de um intelectual do mais alto gabarito, pois não há nada que fuja de sua percepção ou domínio. Homem de muita leitura sabe de tudo um pouco, e de alguns assuntos sabe tudo e mais um pouco, ou seja, de alguns assuntos é especialista. A língua portuguesa é um exemplo entre suas especialidades. Durante muitos anos de docência ministrou aulas de literatura e gramática, e por esse motivo é um homem das letras, um artista nesse campo do conhecimento, ou seja, é um poeta. Consegue expressar sentimento, crítica, opinião com maestria. Mestre nos discursos, sábio nas palavras domina a arte de prender a atenção e se fazer entender. Com um bom humor refinado, que contrasta com seu aspecto comportamental inclinado para o formal e sério, sabe ser cômico, irônico, crítico sem perder a ternura. É incapaz de alterar a voz, falar alto, ser ríspido, ou grosseiro. Essa postura é algo incomum para profissionais do magistério, pois esse ofício infelizmente coaduna com posturas autoritárias. Não! Com ele não! A educação corre recíproca, e o interlocutor sem perceber se envolve num diálogo respeitoso e cativante.  

Outro aspecto interessante é a formação religiosa. Notadamente um homem de fé, com amplo domínio da doutrina cristã protestante luterana. Não é dado a modismos, logo, não é adepto do protestantismo pentecostal, com seus apelos emocionais. Trata-se de um homem de tradição, que dá valor ao arcabouço doutrinário teórico. Não se guia por delírios e paixões, mas sim por convicções forjadas historicamente no debate teológico e filosófico. Dado à tolerância e diálogo, não discrimina outras correntes religiosas, seja católicos, judeus, islâmicos, budistas, kardecistas e protestantes pentecostais. Conhece mais da doutrina católica do que muitos praticantes engajados que não perdem uma missa.

O aprofundamento crítico e filosófico o legou a capacidade de ver o mundo de forma dialética, ou seja, não aceita conceitos, ou verdades prontas e acabadas. Por esse motivo, é difícil de enquadrá-lo ideologicamente. Seria um liberal? Um sócio-democrata? Um comunista? Um socialista? Difícil dizer! Um homem que canta a internacional comunista nunca será um ingênuo. Obviamente tem inclinações esquerdistas bem acentuadas.

Outra qualidade é a música! Foi compositor dos hinos dos principais colégios de Simão Dias (Colégio Dr. Milton Dortas e Colégio Cenecista Carvalho Neto). Domina a notação musical, é instrumentista e mestre de canto.

É uma celebridade municipal! Mas, sobretudo, é um homem humilde de conduta ilibada e exemplar. Um modelo a ser seguido e imitado! Nascido no município vizinho de Paripiranga – BA é cidadão simãodiense por reconhecimento público e oficial. Um orgulho de Simão Dias.

Biografia do Prof. Udilson Soares Ribeiro

Udilson Soares Ribeiro, brasileiro, casado, natural de Paripiranga-BA, nascido em 19/07/1946, residente em Simão Dias-SE, onde recebeu o Título de Cidadão, protestante, socialista, Professor de Língua Portuguesa, Redação e Literatura, aposentado; habilitado como Professor de Língua Portuguesa, em Exame de Suficiência, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Maceió, em 1967; licenciado em Estudos Sociais, em 1977, pela UFS. Assessor dos Prefeitos Municipais de 1977 a 2012. Poeta, autor do Livro “Palavras à Meia Luz” e de artigos religiosos. Organista, Regente de Coral Sacro, compositor da letra e da música dos Hinos de Escolas deste Município, da harmonia do Hino do Município de Poço Verde, de uma Marcha Triunfal em homenagem ao filho falecido, Tiago e de uma Valsa intitulada “Uma Valsa para Minha Nora”. Esposa: Maria do Carmo Santos Ribeiro e Filho: Davi Soares Santos Ribeiro.


1. DADOS GERAIS Nascimento: 19/07/1946 Filiação: Hercílio Ribeiro de Santana e Isabel Soares de Oliveira Santana

Mãe Adotiva: Ilda Soares Oliveira (Dona Fiinha)
Irmãs adotivas: Eunice Soares Almeida, Adelina Soares Almeida e  Maria Soares Oliveira

Estado Civil: CasadoEsposa: Maria do Carmo Santos Ribeiro 


Udilson  e Maria do Carmo

Filhos: Davi Soares Santos Ribeiro e Tiago Soares Santos Ribeiro (in memoriam) 

Naturalidade: Paripiranga-BACidadania: Cidadão Simãodiense, conforme Título de Cidadão de 11/12/1998, autorizado pelo Decreto nº 04/93 de 15/09/93 da Câmara Municipal de autoria do vereador João Silveira Déda Neto.


Tiago e Davi

II. ESTUDANTE

1. Curso Primárioa) Escolas Reunidas “Augusto Maynard” (Municipal), de 1956 a 1958.
b) Grupo Escolar “Fausto Cardoso” (Estadual), 1959.

2. Curso Ginasial: Ginásio “Carvalho Neto”

3. Curso Técnico de ContabilidadeEntidade: Colégio Cenecista “Carvalho Neto”, 1969 a 1971.
4. Curso de Aperfeiçoamento de Ensino Secundário (CADES) e Curso de Suficiência para o Ensino de Língua Portuguesa Entidade: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Maceió, 1967.
5. Licenciatura de 1º Grau em Estudos Sociais Entidade: Universidade Federal de Sergipe, 1975 a 1977. 

Lançamento do livro de poesias “A meia luz”

III. DADOS PROFISSIONAIS

PROFESSOR

1. Professor Estadual Aposentado.2. Professor do 4º ano primário do Ginásio Industrial “Dr. Carvalho Neto”, em 1963.3. Professor do Ginásio “Carvalho Neto” (CNEC), depois Colégio Cenecista “Carvalho Neto”, de 1964 a 1993: Língua 4. Portuguesa, Literatura e Redação.4. Professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação do Colégio Estadual “Dr. Milton Dortas”.
ASSESSOR

1. Chefe de Gabinete de 1977 a 1996, do Prefeito Abel Jacó dos Santos, Manoel Ferreira de Matos, Josefa Matos Valadares, Manoel Ferreira de Matos, Maria Valadares de Andrade, Virgílio de Carvalho Oliveira Sobrinho.2. Assessor Especial dos Prefeitos Luiz Albérico Nunes da Conceição, José Matos Valadares.3. Chefe de Gabinete do Prefeito Denisson Déda de Aquino.
IV. POETA

1. Publicação de Poemas e Artigos Religiosos nos jornais de Simão Dias: Roteiro Sergipano (de Edécio Pereira) e Tribuna Regional (de Nemésio Sales), 1993 a 1995.2. Compilação e Publicação dos Poemas num livro intitulado PALAVRAS À MEIA LUZ (Editora Triunfo Ltda) por iniciativa e patrocínio da Professora (UFS) Maria José Nascimento Soares, 2001.

3. Autoria:Letra e Música (melodia e harmonia) dos hinos das escolas:a) da rede municipal:Escola Municipal “Cícero Ferreira Guerra”b) da rede particular:Colégio Cenecista “Carvalho Neto”, hoje, Escola Municipal “Carvalho Neto”,Colégio “Pierre Freitas”,Escola “Favo de Mel”,Colégio “Eduardo Marques”.c) da rede estadual:Colégio Estadual “Dr. Milton Dortas”,Centro de Estudos Supletivos “Dr. Marcos Ferreira”, hoje CREJA,Escola “José de Carvalho Deda”,Escola “Lourival Baptista”.


4. Composição musical:“Uma Valsa para Minha Nora”,“Marcha Triunfal de Tiago, post mortem”.


V. POSIÇÃO POLÍTICA: Socialista

VI. POSIÇÃO ESPORTIVA: Vasco da Gama

VII. RELIGIÃO
1. Cristão de tradição protestante e denominação presbiteriana. Membro da Igreja Presbiteriana em Simão Dias2. Professor da Escola Bíblica Dominical “Prof. Udilson Soares Ribeiro”3. Organista e organizador do Quarteto Presbiteriano


Quarteto Presbiteriano de Simão Dias
Pb. Jailton, Pb. Udilson, Pr. Farias e Pr. Edson

 4. Regente do Coral da Igreja Presbiteriana em Simão Dias

Coral Presbítero

5. Presbítero (in dignitatis), ordenado em 1987.

VIII. HOMENAGENS


1. Denominações:a) Escola Municipal “Prof. Udilson Soares Ribeiro”, no Povoado Pirajá, por iniciativa do Prefeito Manoel Ferreira de Matos.


Inauguração da Escola Municipal Prof. Udilson Soares Ribeiro

b) Escola Bíblica Dominical “Prof. Udilson Soares Ribeiro”, por iniciativa do Conselho da Igreja Presbiteriana de Simão Dias, acolhendo Proposta do Presbítero Samuel Santana Cruz.


2. Medalhas
a) Centenário de Simão Diasb) Centro de Estudos Supletivos “Dr. Marcos Ferreira”c) Escola Municipal “Dr. Luiz Albérico”d) Colégio “Eduardo Marques”e) Poeta Assuero Cardoso Barbosa

3. Honrarias

a) Colégio Cenecista “Carvalho Neto”

b) Noite de Júbilos e Méritos a um Luminar Organizada sob liderança dos professores Maria José Nascimento Soares, Alexandre Nascimento Barreto Júnior e Geraldo Henrique Prata, no Centro de Estudos Supletivos, em 13 de outubro de 1995.

c) Livro: Professor, Exemplo de Vida. Cenários da História: Simão Dias/SE, Paripiranga/BA, Lagarto/SEHomenagem do autor Osvaldo Abreu à Udilson Soares Ribeiro, em 08 de novembro de 2007.d) Homenagem do Governador Marcelo Déda à Udilson Soares Ribeiro, com o título de Educador Ambiental de Simão Dias, em 2008.

e) Honra ao Mérito ao escritor Udilson Soares “Por contribuir com o crescimento da nossa Literatura” concedido pelo CREJA Prof. Marcos Ferreira, em 15 de abril de 2011.

f) Título de Presbítero Emérito da Igreja Presbiteriana do Brasil concedido pelo Conselho da Igreja Presbiteriana em Simão Dias, em 24 de abril de 2011. 

Fonte: Blog do Prof. Davi Soares – Dedicado a Tiago Soares (in memoriam)

Personalidades Simãodienses – Lupércio Damasceno

Simão Dias é uma cidade de grandes personalidades no cenário sergipano. A cidade tem sido chamada de um “celeiro de políticos”. No entanto, há outras personalidades que nos representam, tanto a nível estadual, como a nível local. Precisamos conhecê-las! Vou destacar alguns nomes por aqui: com vocês: Lupércio Damasceno!

Graduando em Arte-Educação pela Universidade Federal do Piaui (UFPI). Especialista em Teorias Sociais e Produção do Conhecimento (2006). Tem experiencia na área de comunicação com enfase em cultura popular, teatro politico, literatura e musica popular brasileira. Estuda as relações mercantilistas entre agronegócio e industria cultural e seus impactos sobre o meio socioambiental e a produção artístico-cultural. Busca uma nova forma de representação da realidade através da arte na qual politica e estética possam se encontrar no mesmo plano como elementos fundamentais no processo de transformação social. Atualmente é coordenador de cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Meus grifos: Se alguém me perguntasse quem é Lupércio? Me colocaria em grande desafio, pois há duas vertentes a seguir! A primeira é o Lupércio “histórico” (agente de transformação histórica), que daria páginas e páginas de relatos, e outra vertente seria o Lupércio “Antropológico” (uma análise do ser revolucionário). Como isso enseja uma tese, não é aqui o ambiente adequado para essa tarefa, pois textos de mídias eletrônicas devem ser curtos.

Conheci Lupércio ainda muito jovem! Para mim era somente o guarda do banco, pois lá estava ele na entrada do BANESE, munido de um revólver 38, e abrindo a porta e cumprimentando as pessoas com alegria e delicadeza. Contrastando totalmente com o padrão de profissionais que desempenham essa função, pois vigias sempre são sisudos e ficam à distância, treinados para se antecipar diante de um possível assalto, Lupércio não se comportava como vigia, mas sim como um recepcionista, um atende prestativo, um amigo à disposição! É lógico que estava no emprego errado, na lógica errada e na hora errada. Por que digo isso? Simples! Lupércio não pertence a esse mundo! Ele pertence a um mundo de pessoas mais evoluídas!

Ao conhecê-lo melhor, descobri que era um intelectual de primeira linha, com ideias muito à frente de seu tempo. Era um ser libertário, inquieto, incontrolável, com visão de mundo holística, subversiva, transformadora e revolucionária. Logo, como poderia um homem com essas tendências, qualidades e aspirações ser um operário cuja função era ser a contenção, e defesa de uma instituição bancária, onde se guarda dinheiro e opera a exploração do capital. Além disso, munido de uma arma?! Era sem dúvida um paradoxo. Não sei se isso lhe provocou conflitos de identidade, mas lá todos os dias, estava ele, de bom humor, conversando com todos que chegavam, sendo prestativo e amigueiro.

A oportunidade de conhecê-lo na essência, e perceber que se tratava de um Intelectual engajado, deu-se na militância política. Eu filiado no PT, e exercendo a função de sindicalista do SINTESE, o conheci melhor na campanha de Lula presidente em 1989, e depois, na campanha municipal de 1992, quando então, ele foi candidato a vereador pelo PV (Partido Verde). Naquela campanha, ele que era um membro fundador do PT de Simão Dias, já estava trilhando por outros caminhos. Apaixonado pela natureza, e adepto do ativismo ecológico, já defendia que a esquerda deveria se modernizar e pensar o mundo de forma holística e integrada. Já era um crítico da esquerda que queria o “poder pelo poder”, já estava à frente do seu tempo, analisando a conjuntura mundial, abraçando bandeiras da esquerda europeia do pós-guerra. Já fazia as críticas ao totalitarismo da esquerda soviética, e já era um militante anti-sectário, voltado para possíveis alianças com partidos de centro, e pronto para o diálogo. Já estava muito a frente na reformulação estratégica da esquerda, e já vislumbrava a guiada para uma visão de centro-esquerda. No calor da campanha de 1989, o vi ser hostilizado por companheiros mais sectários, que o acusavam de estar indo para um tom verde, enquanto, todos permaneciam vermelhos.

Nas décadas posteriores, de 90 e no início do século XXI, não tardou em todos admitirem que ele estava certo. As alianças construídas pelo PT levaram Lula a presidência e a eleição de vários governadores petistas, e entres estes, Marcelo Déda em Sergipe. Continuando ainda no relato histórico, nesse intervalo, Lupércio finalmente sai do emprego paradoxal e se lança na militância engajada. Passa a militar no MST, no setor de cultura. Nessa militância, as experiências dão um riquíssimo acervo de relatos capaz de encher páginas vários livros. Entre as experiências, vão desde encontros com grandes personalidades da esquerda, intelectuais da cultura, artistas nacionais, além de célebre participação de uma série cubana, onde atua como ator. Lupércio acabou se tornado muito conhecido em Cuba, por conta de sua atuação televisa. Outra passagem importante foi a participação no “Teatro do oprimido”, sob a direção de Augusto Boal.

Mudando para uma análise em outra abordagem trata-se de um ser humano inquieto, incontrolável, criativo, sedento por alterar o mundo. Essa condição não lhe foi gratuita, acabou lhe custando muito caro. Como, acontece com outras pessoas com a mesma tendência, o mundo é as vezes insuportável. Não optar pela religião predominante, não aceitar a ideologia dominante, não gostar do padrão cultural e estético dominante, não absorver os costumes dominantes, não ser ambicioso, oportunista, capitalista, estrategista, dissimulado, o tornou alvo dos canalhas de plantão. Sejam os de direita ou de esquerda!

A batalha por fazer valer os sonhos e convicções sempre custou alto. Seja na questão alimentar quando tentou manter a prática vegetaria, como na produção artística, onde produziu dezenas de músicas primorosas, mas que a indústria cultural dominante insiste em deixar anônima. Seguir o que a mente quer e o que o mundo nega, sempre foi uma batalha. A maior batalha sem dúvida sempre foi contra o alcoolismo. Momentos de vitórias, e momentos de derrotas.

As vitórias foram predominantes, apesar de nosso modelo de sucesso ser pautado no acúmulo de bens, para mim está claro que se trata de um vencedor, de um construtor de sonhos, de um transformador social. Lupércio é um exemplo para vários jovens idealistas de nossa cidade, inclusive eu que escrevo esse texto. Nada foi ou tem sido em vão, e só temos o que nos orgulhar ao olhar essa linda trajetória.

Termino esse breve texto parafraseando uma música de Djavan que ele gosta muito. Sempre que estamos tocando juntos, ele sempre toca dezenas e mais dezenas de músicas da MPB, mas tem sempre aquela que ele passa o violão e me pede: “- Toca aquela, de Djavan”, e ai eu já sei”

Estória de um cantador – DJAVAN

Me apareceu tal rainha
Qual estrela pelo chão
No decote a sianinha
E a fileira de botão
Elogiei seu vestido
Pra dizer que era nobre
Feito um rei oferecido
Eu estou às suas ordens

As ordens foram servidas
Com muito amor e paixão
De mil juras prometidas
Surge um único varão
Na festa de Deus-menino
Após dois anos de corte
Levou um menino à lida
Quase me levou à morte

O que sobrou de nós dois
Não dá nem pra repartir
O pior veio depois
Quando pude conferir
Pelos traços desse filho
Dá pra ver a minha estória
Um sofrer que vem de longe
Acobertado de glórias


Informações coletadas do Lattes em 11/04/2019

Acadêmico

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Graduação em LICENCIATURA EM ARTE-EDUCAÇÃO

2007 – 2013

Universidade Federal do Piauí 
Título: ESTÉTICA TROPICALISTA SOB O LUAR DO SERTÃO
Orientador: MANOEL DOURADO BASTOS

FORMAÇÃO COMPLEMENTAR

2001 – 2002

Curso de Formacao de Curingas. (Carga horária: 320h). , Centro de Teatro do Oprimido, CTO-RIO, Brasil.

2000 – 2000

Realidade Brasileira. (Carga horária: 72h). , Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil.

1998 – 1998

Curso de Capacitacao em Educacao Ambiental. (Carga horária: 40h). , Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SE, SEMARH, Brasil.

1997 – 1997

Curso de Atualizacao em Gerenciamento do Lixo Muni. (Carga horária: 16h). , Universidade Federal de Sergipe, UFS, Brasil.

1986 – 1990

Professor de Ensino de Primeiro Grau. (Carga horária: 1120h). , Secretaria da Educacao e Cultura do Estado de Sergipe, SEED, Brasil.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS

Seminario do Plano Nacional de Cultura.Plano Nacional de Cultura. 2008. (Seminário).

Seminario Estadual de Avaliacao do Projeto Campanha de Alfabetizacao em Areas de Acampamentos e Assentamentos de Reforma Agraria.Relato de experiencia. 2008. (Seminário).

I Conferencia Internacional Vozes de Nuestra america. Mistica Cultural de Abertura. 2007. (Congresso).

1o Seminario Nacional sobre Educacao Basica e Nivel Medio nas Areas de Reforma Agraria. 2006. (Seminário).

II encontro Nacional de Agroecologia. 2006. (Encontro).

Mostra Cultural do Brasil e Economia Solidaria. 2006. (Encontro).

Seminario Nacional Modelo Produtivo e Matriz Tecnologica. 2006. (Seminário).

Conferencia Internacional Dilemas da Humanidade-. 2004. (Congresso).

Seminario Estadual de Educaçao do Campo.Mistica Cultural de Abertura. 2004. (Seminário).

Congresso Nacional dos estudantes de Agronomia. Projeto Eco-Caatinga. 2003. (Congresso).

Seminario Internacional -30 Anos Allende Vive.O Papel da Arte e Cultura no MST. 2003. (Seminário).

COMISSÃO JULGADORA DAS BANCASJonas Rodrigues de Moraes

MORAES, Jonas Rodrigues de; BRUNACCI, M. I.; BASTOS, M. D.. ESTÉTICA TROPICALISTA SOB ?O LUAR DO SERTÃO?. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Licenciatura em Artes Visuais e Musicais) – Universidade Federal do Piauí.

PRODUÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

  • BARBOSA, L. D. . Agronegocio e industria cultural – a mercantilizacao da Vida e da Arte. Caderno de Formacao do EIVE, Aracaju, 15 nov. 2011.
  • BARBOSA, L. D. . Boal Continua em Cena. Revista Sem Terra, Sao Paulo, 10 set. 2009.
  • BARBOSA, L. D. ; PROCOPIO, F. . Um Poeta para ser Lembrado. Jornal do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Sao Paulo, 07 abr. 2009.
  • BARBOSA, L. D. . Cultura e Etnoconhecimento. 2009. (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra).
  • BARBOSA, L. D. . I conferencia Internacional Vozes de Nuestra America. 2007. (Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra).
  • BARBOSA, L. D. ; FEITOSA, V. . Mistica Cultural. 2004. (Apresentação de Trabalho/Seminário).
  • BARBOSA, L. D. . Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia. 2003. (Apresentação de Trabalho/Congresso).
  • BARBOSA, L. D. . Seminario Internacional -30 Anos Allende Vive. 2003. (Apresentação de Trabalho/Seminário).

OUTRAS PRODUÇÕES

BOAL, A. ; VILLAS BOAS, R. ; BARBOSA, L. D. ; AL, E. . A Peleja de Boi Bumba contra a Aguia Imperial. 2002. Teatral.

VILLAS BOAS, R. ; PROCOPIO, F. ; BARBOSA, L. D. ; AL, E. . Assedio no ônibus. 2001. Teatral.

VILLAS BOAS, R. ; CACHOEIRA, A. ; PROCOPIO, F. ; BARBOSA, L. D. ; AL, E. . Panfletagem. 2001. Teatral.

IPLAC, I. P. L. A. E. C. ; BARBOSA, L. D. ; DIAS, C. ; MORAES, T. ; AL, E. . Sim, Eu Posso. 2004. Vídeo.

BARBOSA, L. D. . Samba da Natureza. 2006.

Histórico profissional

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Personalidades Simãodienses – Nino Karvan

Simão Dias é uma cidade de grandes personalidades no cenário sergipano. A cidade tem sido chamada de um “celeiro de políticos”. No entanto, há outras personalidades que nos representam, tanto a nível estadual, como a nível local. Precisamos conhecê-las! Vou destacar alguns nomes por aqui: com vocês: Nino Karvan!

Vou ficar devendo a fonte da matéria abaixo, mas o arquivo foi salvo em meu computador em formato do Word. Trata-se de matéria jornalista da imprensa sergipana. Vou correr atrás da fonte e fazer os devidos créditos.

TEXTO: O pai iniciou sua vida profissional como agricultor e encerrou na condição de barbeiro.  Ser um homem de palavra assumindo todos os compromissos é o grande exemplo que aplica em vida de seu pai. “É um homem de caráter e só deixou bons princípios para os filhos. Meu pai era muito conhecido e querido na cidade de Simão Dias. Era conhecido como ‘João Bina Barbeiro’. Trabalhava para a prefeitura fazendo barba de pessoas humildes e de enfermos”.

Sua mãe teve três filhos: Lucivaldo, Lucilene e Lucimeire. Pessoa simples, filha de agricultores, até se casar trabalhava na casa de farinha na propriedade rural de seus pais. Na vida ao lado do marido João Batista, para ajudar o sustento da família, aprendeu a arte de bordar com toda facilidade e logo passa ser conhecida por toda a cidade, a ponto de ser uma das mais requisitadas na profissão que abraçou. Muitos foram os enxovais de noiva que passaram por suas mãos e muitos deles saíram de Sergipe.

Depois de centenas de produções e com a visão sem condições para o trabalho de bordar, passou a fazer bolos e tão bons que eram passou a fornecer seu novo produto para as lanchonetes da cidade de Simão Dias. “Ela não parava um instante e até hoje é uma mulher muito ativa. Mesmo contando hoje com 82 anos de idade, anda quatro quilômetros todos os dias”. Dela o filho diz que tem o seu lado de ternura e de carinho. Só coisas boas. “Graças a Deus, meus pais, apesar de serem pessoas humildes, que não tiveram acesso a educação, sempre foram pessoas de muito bom coração. Ambos estão vivos”.

A infância e a juventude de Lucivaldo aconteceram na sua terra natal. A professoras Denise, uma grande amiga da família até hoje, alfabetizou o menino Lucivaldo. Outras lições recebeu da professora Valdice. Em seguida, estuda até a terceira série Grupo Escolar Fausto Cardoso.  No Colégio Cenecista  Carvalho Neto, mais outra etapa da sua vida de estudante – sendo aluno da professora Enedina Chagas Silva na disciplina francês. “Ela é avó de Belivaldo Chagas e era minha madrinha”. Também em Simão Dias faz o segundo grau e sai com o diploma de técnico em contabilidade.

Sua infância aconteceu em felicidade: muitas brincadeiras, muitos momentos desfrutados na natureza em diversos sítios, subindo e descendo árvores, correndo, saboreando frutas diversas, muito a contar. “Tinha uma turma de 20 meninos e de bicicleta íamos brincar em algumas cidades próximas a Simão Dias. Em final de tarde, todo mundo ia tomar banho de cachoeira e de rio no Mercador, que era a propriedade de Dr. Celso de Carvalho. Eu fazia meus brinquedos de madeira, meus violões, os meus carros e não só brincava como vendia . Não tinha essa história de comprar e de ganhar brinquedo. Eu mesmo fazia os meus. Me lembro do carrinho de rabo de peixe que era muito cobiçado. João Barbosa, meu amigo de infância e vizinho de casa, me acompanhou muito e brincou com meus carrinhos”.

Conta que nunca faltou na sua vida e de suas irmãs saúde, alimentação e educação. Aos 14 anos de idade começa a trabalhar no Banco do Brasil como office-boy, onde permanece até os 18 anos. “Foi aí que ganhei um violão dos meus colegas do banco. Momento que comecei a me interessar pela música. Na escola, minha madrinha Enedina, depois de me ver cantando na porta da minha casa uma música do cantor Jessé,  ficou fascinada pela minha afinada voz e me chamou para cantar  nos  eventos da escola e da igreja matriz de Simão Dias”.

Convidado pelo cunhado, funcionário do Banco do Brasil em Simão Dias, passa a integrar a turma de seresta do namorado de sua irmã. “Tinha Gilson que tocava violão e era um seresteiro de carterinha. Na primeira seresta que participei comecei a cantar Galopeira. Passei alguns minutos esticando a minha voz na Galopeira e a galera gostou. Daí passei para o lado mundano”.

Não esquece das famosas festas que aconteciam em Simão Dias por conta do dia da padroeira da cidade, Nossa Senhora Sant’Ana. “Não é por um certo saudosismo, mas as festas de antigamente eram muito mais glamurosas. As pessoas se produziam para os bailes no tradicional Caiçara Clube, na Associação Atlética, no BNB Clube. Todo mundo se conhecia”.

Profissionalmente começa a cantar como crooner da banda de baile Tribos, em Simão Dias. “Tinha de 15 a 16 anos. A gente viajava por diversas cidades do  interior da Bahia e de Sergipe. Dividia o palco com  outro cantor. Se não me engano era o Patricardo. A banda tocava de tudo: do rock dos anos 80 até o axé – que estava começando. Ser crooner de uma banda de baile é uma grande escola”.

Sua participação na Tribos aconteceu quando o proprietário da banda viu José Lucivaldo cantando uma música de Lobão e outra da banda Engenheiros do Havaí,  num concurso de calouro num circo que passou por Simão Dias. Na banda de  baile cantou por dois anos.

Aos 18 anos de idade, faz vestibular em 1989 para o curso de História, da Universidade Federal de Sergipe, e sai aprovado.

Depois de passar por seis períodos, abandona o curso e numa outra etapa faz concurso público em 1994 com sucesso para ingressar na UFS na condição de funcionário.

Quando da abertura do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe, enfrenta mais um vestibular e sai formado em Comunicação Social  habilitação Rádio e Televisão. “Chegava para o professor Luciano Correia e dizia: Luciano, meu negócio é música e trancava o curso. Entrei em 1995 e conseguir me formar em 2003”.

“Depois fiz uma pós-graduação na Bahia e sou especialista em Musicoterapia, que é  uma forma de terapia que promove mudanças numa pessoa, tanto de ordem física quanto de ordem emocional, mental e cognitiva. Trata também, de problema de depressão. Eu tive um consultório na Clínica Homeopática de Sergipe durante um ano, mas me envolvi com um monte de projetos. Estava trabalhando na Aperipê, na universidade, produzindo o disco da cantora Raquel Del Mondes e terminando a minha pós-graduação.  Como não dava para fazer tanta coisa, fechei o consultório”.

No momento trabalha na Rádio UFS, apresenta na Aperipê TV o programa Cena do  Som, onde entrevista pessoas do cenário musical sergipano – programa que vai ao ar às quintas, às 19h, e reprise aos sábados, às 18h30.

Gravou dois CDs autorais e participou de 13 a 15 coletâneas de festivais. O primeiro CD é o Mangaba Madura, lançado em 2001. Em 2005 gravou e lançou em 2006 o  Aquarela para Pandeiro. “Quando fui para a China vendi pra caramba o CD Aquarela para Pandeiro na Universidade de Pequim”.

Por duas vezes conquistou o 1º lugar no Festival Sesc Canção. Conquistou em 1987 o Novo Canto; ficou em 3º lugar em 1988; conquistou o Festival Universitário de Música Ecológica. “Ganhei vários festivais aqui em Sergipe, o Festival Viola de Todos os Cantos em São Paulo e o festival em Maringá. Muitos festivais e não posso deixar de citar o festival nacional de música promovido pelo Sesc do Paraná, após vencer em 2001 o SESC Canção”.

Por um bom tempo tocou em barzinhos. “Fiz temporadas no antigo Bossa Nova, no  Teimode, Gosto Gostoso. Toquei muito na noite. Nas cidades do interior sergipano, na cidade de Paripiranga, na Bahia, eu saía de moto com José Aroldo do sax e tomava conta da noite, segurando o violão de um lado e Aroldo com o sax do outro. Cantava muito”.

Por um ano substituiu a cantora Clemilda no seu famoso programa Forró no Asfalto, na Aperipê TV, e várias apresentações a convite de Clemilda no Forró no Asfalto. “Tive a honra e o prazer de entrevistá-la para o meu programa Cena do Som no cenário do programa Forró no Asfalto, entrevista que será exibida no programa especial do dia 23 de junho, no ápice dos festejos juninos”.

É casado com Sílvia Machado e tem uma filha de 16 anos do primeiro casamento, Luna Safira. “É uma menina linda, fantástica, quer fazer carreira artística e vai estudar teatro fora”.

Do nome Nino Karvan: “Sempre fui conhecido como Nininho. Quando mudei para Nino Karvan, Marcelo Déda vinha numa procissão e ao me avistar falou: ‘Meu irmão, você mudou de nome? Eu prefiro Nininho’ (risos).