Novo Brasão do Município de Simão Dias

O Projeto de Lei nº 05/09 de 18 de fevereiro de 2009 alterou a Lei nº 13/90 de 18 de junho de 1990, que instituiu o Brasão da Cidade. A nova lei modernizou o Brasão Municipal o adequando às características e estilização tradicionais do padrão heráldico.

O Brasão Antigo, instituído pela lei nº 13/90, estava fora do estilo tradicionalmente aceito, visto que, o mesmo nada mais era do que uma improvisação, ou seja, recorte da bandeira municipal.

Brasão Antigo:

 Na modernização do Brasão, foram preservados alguns elementos, pois, condizem com o referencial histórico de Simão Dias.

Elementos que foram preservados

No atual antigo (lei nº 13/90) o brasão está dividido em duas partes: 

Na parte inferior encontram-se três elementos importantes, ou seja, o café, o boi, e o algodão. 

O Café e o algodão representam a produção economicamente predominante, quando Simão Dias foi emancipado. 

Na parte superior, encontra-se um horizonte formado por Serras, céu azul e palmeiras imperiais. Esse cenário apresenta elementos típicos do ecossistema de Simão Dias e que identificam o município. 

O novo Brasão

A proposta do novo Brasão reformula o antigo, utilizando o padrão heráldico, aprimorando e preservando elementos presentes no antigo.

Coroa Mural

A coroa mural é o elemento que representa e distingue, se a localidade é um município, vila, ou capital. Conforme a classificação abaixo:

Apenas para Município, Capital de Estado. 

Os ramos

Os ramos no brasão atual estão na parte inferior, enquanto o padrão é dispô-los ao redor do brasão. A proposta caminha no sentido de preservar os elementos antigos, ou seja, café e algodão.

 Foram dados a sugestão de inserir o milho ou o gado no Brasão atual. Mas isso não faria nenhum sentido, visto que, o Brasão é um elemento que visa preservar elementos históricos, logo, não faz sentido trazer elementos contemporâneos, ou que tratem do momento, político, econômico e social da atualidade. O café e o algodão eram as culturas predominantes no período da emancipação. Um exemplo: No Brasão do Município de São Paulo temos um braço de bandeirante e não desenhos de arranha-céus e fábricas.

Brasão do Município de São Paulo, capital do Estado de São Paulo

Por que preservar esses elementos?

Simão Dias passou da categoria de Vila para a de Cidade, em 12 de Junho de 1890, por Decreto do Presidente do Estado, Felisbelo Freire, sob o argumento de que a mesma possuía uma grande população — 10.984 pessoas, um comércio próspero, uma estrada de ferro que ligava a referida Vila a Aracaju, bem como, a existência de uma comarca recém criada. Com base nesses argumentos, a Vila foi emancipada do município de Lagarto. A estrada de ferro, que serviu como uns dos argumentos para a emancipação política da antiga Vila, jamais foi concluída, restando hoje, algumas escavações e bases de pontes por onde passaria as linhas férreas, que permanecem abandonadas em fazendas da região. Felisbelo Freire era uma liderança estadual do movimento republicano, e as lideranças políticas sertanejas eram simpáticas ao movimento republicano, principalmente os criadores de gado. Os grandes fazendeiros tinham simpatia pelo movimento republicano, pois tinham uma organização econômica que não dependia da mão-de-obra escrava. No litoral sergipano, onde predominava a produção açucareira era predominante, havia um movimento conservador e monarquista que visava preservar o império e o escravismo. Por esse motivo, após a proclamação da República em 1889, já em 1890, Simão Dias se torna município, logo após Felisbelo Freire, líder republicano, assumir o governo. A estrada de ferro que serviria de argumento para a emancipação de Simão Dias visava escoar a produção cafeeira e de algodão. Por esse motivo, esses elementos, “café e algodão”, devem permanecer no nosso brasão, pois, remetem à nossa emancipação. Por esse motivo, apesar de Simão Dias ser hoje um grande produtor de milho, não é aconselhável incluí-lo no novo brasão, visto que esse elemento não tem uma ligação direta como referencial histórico que ensejou a emancipação política. Trata-se de uma cultura agrícola predominante na atualidade e que pode permanecer ou não como o nosso principal produto agrícola. Temos que considerar que há duas décadas o gado, e o feijão tinham uma preponderância sobre o milho.

O referencial histórico deve predominar na definição de elementos que compõem os símbolos municipais. Por exemplo: o Brasão da capital paulista tem em seu brasão um braço de um bandeirante, ao invés de arranha-céus e fábricas.

As palmeiras e serras

As palmeiras e serras, ao fundo, permanecerão compondo o atual brasão, visto que são elementos paisagísticos intrínsecos do município. As palmeiras e as serras sempre foram elementos que identificam Simão Dias. Durante muitas décadas as palmeiras imperiais compuseram um belíssimo conjunto com os Casarios antigos na Praça Barão de Santa Rosa. Esse conjunto contribuiu para dar a Praça da Matriz o reconhecimento de uma das mais belas praças dos municípios do interior sergipano.

O vaqueiro

Uma inovação no novo Brasão é a substituição da figura do “boi” pela figura do “vaqueiro”. O boi é, sem dúvida, um elemento importante, mas a sua importância na nossa formação histórica não sobrepõe à do vaqueiro Simão Dias. Por esse motivo considerou-se relevante à substituição.

 A faixa

O brasão passará a conter uma faixa com o nome do município “Simão Dias”, o que identificará com clareza a que município pertence.

A autoria

A idéia, concepção e autoria do novo Brasão é resultado de trabalho de pesquisa de Marcelo Domingos de Souza (historiador e Ex – Secretário Municipal de Educação e Cultura) e Marcos Domingos de Souza (Ex-Secretário Municipal de Administração), bem como, desenho e composição gráfica.

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História de Simão Dias

O local onde está edificada a cidade de Simão Dias foi, no passado, uma povoação de índios fugitivos das expedições colonizadoras do Governador do Norte, Luis de Brito e Almeida. Esses índios se estabeleceram nas matas da margens do Rio Caiça.

As terras do município constituem um relevo acidentado devido à presença de um conjunto de serras, com altitudes que oscilam entre 200 a 750 metros. Isso favorece a existência de uma vegetação menos vulnerável a estiagens típicas do sertão. As zonas de terras entre Simão Dias e Paripiranga, município da Bahia, são formadas por terrenos acidentados, onde é possível verificar a existência de matas fechadas, devido à impossibilidade de cultivo de cereais e pastagens. Nessa mesma zona, existem inúmeros sítios onde se cultivam árvores frutíferas e culturas de subsistência.

Esse relevo proporcionou aos índios que primeiro povoaram essa região um verdadeiro oásis, frente ao sertão. Daí a origem das diversas denominações que constam em documentos históricos, como: “Matas de Simão Dias”, “Matas do Coité” ou “Matas do Caiçá”. Com a invasão holandesa em Sergipe, surge a determinação de conduzir os rebanhos até as margens do Rio Real. No entanto Braz Rabelo, proprietário baiano, que possuía rebanhos nas terras da atual Itabaiana, decide esconder seus rebanhos nas terras das matas à beira do Rio Caiçá. Desse episódio é que surgirá a figura histórica do vaqueiro Simão Dias, responsável pela condução do gado e pelo surgimento das primeiras instalações que daria origem à cidade Simão Dias passou da categoria de Vila para a de Cidade, em 12 de Junho de 1890, por decreto do presidente do Estado Felisbelo Freire, sob o argumento que a mesma possuía uma grande população — 10.984 pessoas, um comércio próspero, uma estrada de ferro que ligava a referida Vila a Aracaju, bem como, a existência de uma comarca recém criada. Com base nesses argumentos a Vila foi emancipada do município de Lagarto. A estrada de ferro, que serviu como uns dos argumentos para a emancipação política da antiga Vila, jamais foi concluída, restando hoje, algumas escavações e bases de pontes por onde passaria as linhas férreas, que permanecem abandonadas em fazendas da região.

O nome do município é uma homenagem ao colono que remonta aos primeiros tempos da ocupação do território sergipano. Trata-se de Simão Dias Francês, que nos anos de 1599, 1602 e 1607, juntamente com Cristóvão Dias e Agostinho da Costa, através de requerimento, solicitaram a concessão de sesmarias na região. O último requerimento, do qual o códice está no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, solicita “três léguas de terra em quadro” nas terras devolutas de Itabaiana,, para a criação de gado. Felisbelo Freire que além de presidente do estado foi também historiador afirma:

“Os terrenos onde está edificada hoje (1891) a Vila de Simão Dias foram doadas a Simão Dias Fontes, Cristóvão Dias e Agostinho da Costa”.(FREIRE: 1997, p..322).

No entanto a tese sustentada pelo historiador Felisbelo Freire foi alvo de contestação pelo Pe. João de Matos Carvalho, que tinha a intenção de homenagear o Comendador Sebastião da Fonseca Andrade (Barão de Santa Rosa) pela construção do templo da atual matriz de Santana. O Pe. João de Matos se aproveitou das contradições encontradas nas várias teses sobre a origem da povoação, pois os documentos históricos que falavam de Simão Dias, em cartas de doação de sesmarias, possuem sobrenomes diversificados, além de solicitarem sesmarias em períodos diferentes. Diante disso, para o Padre João de Matos Carvalho, havia a possibilidade de existir dois personagens históricos com o mesmo nome. Na intenção de provocar controvérsias e enfraquecer a tese de Felisbelo Freire, ele publicou uma obra intitulada “Matas de Simão Dias”, na qual defende veemente a tese de que a cidade teria se originado graças à doação de sua ancestral Ana Francisca Menezes. O objetivo era levantar a dúvida sobre a versão histórica, bem como, menosprezar a figura do vaqueiro e enaltecer a figura da sua ancestral, doadora das terras onde foi edificada a primeira capela que originou a freguesia de Santana de Simão Dias.

Antes de ter “status” de vila, o atual município foi constituído como Freguesia, pela Lei de 6 de fevereiro de 1835, desmembrando-se da Freguesia de Lagarto. A capela que motivou a sua criação data de 1655, conforme defende historiadores. No entanto o único documento antigo sobre o assunto é de 1784. Devido ao progresso da Freguesia o governo da Província baixou em 15 de março de 1850, o decreto que elevou à categoria de vila com o nome de Senhora Sant’Ana de Simão Dias.

Assim, o município de Simão Dias, teve essa denominação desde a condição de freguesia e vila. Mas o nome que homenageava o seu primeiro povoador permaneceu pouco tempo, pois o intento do Pe. João de Matos Freire de Carvalho foi alcançado, e em 25 de outubro de 1912, a cidade passaria a ser denominada como Anápolis, pelo Decreto Lei de n° 621. Após muitas controvérsias e reações, principalmente da imprensa, o nome de Simão Dias foi restabelecido pelo Decreto Lei n° 533, de 7 de dezembro de 1944, favorecido pela determinação do Governo Federal, do então Getúlio Vargas, que aprovou o plano do IBGE, coibindo a coincidência de municípios com mesma denominação. Como existia um município goiano com o mesmo nome, e mais antigo, a Anápolis sergipana teve que modificar o nome.

Quanto à política, o município simãodiense teve uma longa fase de domínio oligárquico, aonde o poder local era exclusivo aos grandes proprietários rurais. A práticas coronelistas estiveram presentes nessa fase, sendo possível verificar resquícios do coronelismo até os dias de hoje. No entanto a partir da década de 1930, é que começa a decadência dos grandes proprietários na política local, devido às mudanças ocorridas em decorrência da revolução, bem como, o fenômeno populista desenvolvido a partir da década de 40.

Por Marcelo Domingos de Souza

Licenciado em História – Universidade Federal de Sergipe

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Mudanças no padrão arquitetônico da Cidade de Simão Dias

A cidade de Simão Dias, vem ao longo dos anos sofrendo bruscas mudanças no Padrão Arquitetônico das casas, imóveis e ruas. Segue abaixo algumas fotos antigas que servem como referência das mudanças ocorridas nos últimos anos.

A foto acima é talvez a mais antiga fotografia da cidade, retirada em 1890, ou seja, no ano que Simão Dias se emancipou. No detalhe podemos ver a população saindo da capela, numa manhã de domingo.

Fotografias da Igreja Matriz Senhora Sant’Ana com duas torres. Permaneceu com duas torres até a década de 20.

 Igreja Matriz de Senhora Sant’Ana atualmente com uma torre.

 Canto da Praça ao lado da antiga Telergipe. Fica diante do Bar da Praça. Abaixo Foto mais atual.

  Canto da praça que teve a casa demolida para a ampliação da rua que dá acesso ao Bairro Bonfim. Abaixo fotos de edifícios construídos no terreno remanescente. 

 Sobrado que pertenceu ao Cel. Nono Zacarias.

 Residência que pertenceu ao Barão de Santa Rosa

 Antigos coretos. Coreto de abóboda de concreto armado, demolido durante a gestão de Celso de Carvalho, e o correto aberto que foi demolido na última reforma da praça, durante a gestão do Prefeito Luiz Albérico.

 Antiga Rua do Comércio – Joviano de Carvalho, atualmente Calçadão Joviniano de Carvalho. Foto antiga e fotos atuais. É possível ver o antigo açougue municipal, construído por Carvalho Déda.

 O Antigo açougue foi demolido para a construção da atual agência do BANESE.

 Esquina do Calçadão da Joviniano de Carvalho com a Av. Coronel Loiola. E fotos mais atuais.

 Rua Celso de Carvalho, que fica diante da Igreja Matriz. Abaixo foto mais recente do Casario em frente a Igreja Matriz.

 Fachada do monumental Colégio Estadual Fausto Cardoso. 

 Fachada do antigo sobrado, local do Largo do Comércio antigo. Local onde era realizado as primeiras feiras, e dava acesso a rua Cônego Andrade, antiga rua do Comércio.

Antiga residência do Coronel Antonio Alexandrino, que durante décadas sedou o antigo Cayçara Club. Abaixo as ruínas do antigo prédio do Cayçara Club. Local: Atrás do Fórum de Simão Dias.

 Antigo Mercado Municipal Abel Jacó.

 Hospital Bom Jesus. Na inauguração e foto mais recente.

Casa do Coronel Pedro Freire de Carvalho 

A antiga Delegacia e o atual prédio do Memorial de Simão Dias. 

 Antigo Colégio Industrial, na Rua Pedro Leal, próximo ao Sindicato Rural.

Antiga fachada do Fórum. 

 Fachada do antigo cinema

 Antiga Casa do Coronel Pedro Freire, que serviu também como a sede da Prefeitura Municipal. Foi demolida para a construção do Banco do Nordeste do Brasil – BNB.

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 Avenida Coronel Loiola, rua antiga feira.

Rua Coronel Loiola Atualmente. 

 Inauguração da Avenida de acesso a Lagarto, conhecida como Brasília. 

  Fachada do Cemitério Municipal

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Quem foi o Vaqueiro Simão Dias!

O nome do município é uma homenagem a Simão Dias, figura histórica que desde a emancipação política teve seu nome envolvido em calorosos debates sobre a sua real participação na origem da povoação. O município se originou como como conseqüência da invasão holandesa em Sergipe, pois com a eminência de uma ocupação o governo geral ordenou que o gado fosse evacuado. No entanto Braz Rabelo, latifundiário das terras de Itabaiana decidiu que o gado, ao invés de ser evacuado para além da margem sul do Rio Real, fosse escondido nas matas do Caiçá.A região, onde hoje está a cidade, era povoação de índios que habitavam as margens do Rio Caiçá. Este hoje banha a cidade totalmente poluído. A emancipação veio com a República por decreto de Felisberto Freire quando exercia o mandato de presidente do Estado de Sergipe, o que equivaleria a Governador de Estado atualmente. Este, um dos primeiros historiadores sergipanos, defendeu a origem histórica do vaqueiro afirmando em seu livro “História de Sergipe” que:

“Os terrenos onde está edificada hoje (1891) a Vila de Simão Dias foram doadas a Simão Dias Fontes, Cristóvão Dias e Agostinho da Costa” (FREIRE: 1997, p. 322).

O mesmo baseava a sua informação em estudos que demonstravam a existência de um homem chamado de Simão Dias Fontes, que juntamente com Cristóvão Dias e Agostinho Costa solicitaram sesmarias ao governo real nos anos de 1599, 1602 e 1607. O primeiro povoador também era conhecido como Simão Dias Francês.

No entanto com passar dos anos personalidades locais começaram a questionar a existência do referido povoador, levantado suspeitas sobre existência do mesmo. O grande defensor dessa tese foi o Padre João de Matos Carvalho que na intenção de Homenagear o Comendador Cel. Sebastião da Fonseca Andrade, mais conhecido com Barão de Santa Rosa, bem com à sua esposa resolveu desqualificar a tese defendida por Felisberto Freire. O padre tinha parentesco com a esposa do comendador e valeu-se de uma poderosa retórica, como também de várias controvérsias sobre a figura do vaqueiro Simão Dias. Esse debate está relatado no livro com título “Simão Dias ou Anápolis? Resenha histórica de sua fundação” publicado em 1912. Nesse livro ele levanta a tese de que na verdade o município se originou do esforço de Ana Francisca de Menezes, pois a mesma dou as terras onde hoje está edificada a Matriz de Santana. Nesse mesmo local, no passado, foi edificada uma capela onde daria origem à freguesia, posteriormente a Vila e por fim o Município. Sob esses argumentos o município teve então seu nome alterado em 25 de outubro de 1912, passando a se chamar “Anápolis” , como homenagem à Ana Francisca de Menezes e Ana Freire de Carvalho, esposa do Barão.

No entanto, os debates continuaram acalorados. Felisberto Freire, bem como vários intelectuais sergipanos e simãodienses defenderam com veemência o nome do Vaqueiro Simão Dias, como o primeiro povoador. O questão seria revista durante o Estado Novo, quando após a criação do IBGE por Getúlio Vargas, ficou vedada a existência de cidades com o mesmo nome no território Nacional. Como existia um município goiano com esse nome, e mais antigo, a Anápolis sergipana teve que voltar a se chamar Simão Dias, pelo decreto Lei nº 533, de 7 de dezembro de 1944.

Texto escrito por: Marcelo Domingos de Souza
Licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe – UFS

 

 

As mudanças políticas em Simão Dias – O motor da história em ação

Ao analisarmos o fracasso eleitoral de um dos agrupamentos políticos mais tradicionais de nossa cidade, podemos observar uma máxima que a história nos revela: “você pode ser hegemônico e poderoso por muito tempo, mas jamais o tempo todo”. Derrotas e vitórias são comuns na política.

Na verdade, políticos experientes sabem que em política não há, efetivamente, derrotas, mas sim, adiamento de projetos políticos. Trata-se de efeitos colaterais de uma atuação momentânea, pois o desgaste faz parte da atuação política.

 Celso de Carvalho comemorando a vitória de Abel Jacó como Prefeito Municipal de Simão Dias

Mas, quanto ao cenário político atual de Simão Dias, está ficando cada vez mais nítido, que estamos entrando numa fase de mudança política mais profunda. Não se trata de mudanças pontuais resultante de fatores meramente conjunturais. Obviamente, que um olhar menos sensível à mudanças históricas poderia avaliar que se trata somente de mais uma campanha política, onde um agrupamento político local, conseguiu reorganizar e aglutinar novamente a tradicional oposição antivaladarista. Mas na verdade, o que estamos testemunhando é o motor da história fazendo acontecer.

Quem gosta de revisitar o passado, sabe que, outras batalhas eleitorais entre grupos rivais já marcaram nossa história, como por exemplo, a disputa entre os agrupamentos de Antonio Alexandrino (os Barretos) versus o agrupamento do Barão de Santa Rosa (os Carvalhos), bem como, a mais recente disputa entre Jacarés e Crocodilos. Mas, chega o dia que as velhas lideranças se aposentam, “penduram as chuteiras” ou seguindo o curso natural da vida: morrem.  É natural que as coisas se renovem!

 Comício de Marival Santana na Salobra no dia 11/09/2016. Adesão maciça da maioria da população. Um verdadeiro massacre aos grupos tradicionais da política simãodiense.

Mas o que temos notado é que no agrupamento político dos Valadares existe uma “regra de ouro”. Trata-se da lógica nefasta de destinar os cargos majoritários aos membros da família, ou seja, para ser prefeito ou deputado é necessário ser um Valadares, ou mais precisamente, ter o sobrenome Valadares. Mas a legislação eleitoral brasileira sempre prevê mecanismos para evitar que chefes políticos formem uma “dinastia”, e vez ou outra, o agrupamento político se vê obrigado indicar um nome fora da família. Nas poucas vezes que isso ocorreu, o candidato que não tem o sobrenome Valadares, foi candidato em situações adversas, ou seja, momento em que o grupo político estava desgastado. Já em outros momentos em que a candidatura era viável, terminado o pleito deu-se início a destruição sumária da imagem do candidato eleito, como, por exemplo, foi o caso do ex- prefeito Denisson Déda.  O ex-prefeito Virgílio Sobrinho também foi vítima de uma sabotagem política. Após assumir a Prefeitura por um ano, depois do afastamento do ex-prefeito Manoel Ferreira de Matos por decisão judicial, foi rechaçado e abandonado pelo grupo político, ficando no ostracismo.

Na atual campanha tem se verificado uma diferença brutal entre o vigor que o grupo da situação apresenta e a candidatura do tradicional grupo valadarista.  Se verifica por vários indícios, bem como, por pesquisas de opinião que velhas forças políticas estão na UTI, e as eleições municipais que se aproximam podem ser o golpe de misericórdia em velhas lideranças.  Como já dizia Karl Marx: “Tudo que é sólido se desmancha no ar”.

Monografia sobre a política de Simão Dias

Resumo

Simão Dias é um município sergipano com uma forte tradição política. Desde sua emancipação a disputa pelo comando local sempre ocorreu de forma acirrada. Na fase oligárquica  que vai de 1890 até 1930, o município sempre foi governado por grandes latifundiários. A partir de 1930, começa a ocorrer mudanças na estrutura política, mas o poder de chefes locais ainda se mantém forte e atuante. Após o período em que o município foi governado por interventores nomeados pelo governo estadual, retoma o processo eleitoral em 1935, onde Marcos Ferreira de Jesus é eleito prefeito. Com o golpe de estado de 1937, os prefeitos passam a serem nomeados. A fase de nomeação dos prefeitos termina em 1947, quando ocorrem novas eleições, onde é eleito Sebastião Celso de Carvalho. Este foi eleito sem que houvesse uma chapa de oposição.

Começava então a carreira política de Celso de Carvalho, que viria a se tomar governador do Estado de Sergipe após o golpe de 1964. Celso é o último representante oligárquico da política simãodiense.

Em 1951, surgia como político Pedro Almeida Valadares. Figura popular tornou-se rapidamente um político influente e conhecido. Exerceu dois mandatos de vereador e, em 1959, foi eleito prefeito municipal com um mandato que durou até 1963. Posteriormente tomou-se Deputado Estadual. Faleceu em 1965, ainda em mandato legislativo.

Pedro Valadares foi o maior representante da política populista em Simão Dias. Tinha um estilo próprio de fazer política. Apesar de ter surgido em meio aos grupos de latifundiários, tomou-se uma liderança fortíssima devido ao trabalho assistencialista voltado para as camadas pobres da população. Com ele, começa o processo de degradação dos grupos políticos comandados por latifundiários.

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Tradição versus o inevitável desejo de mudar

Tradição! Você já parou para pensar o que é tradição? Muita gente pensa que os historiadores gostam do que é tradicional, pois sempre revisitam o passado! Que triste engano! Pelo contrário! Os historiadores sempre revisitam o passado e tentam resgatá-lo, para mostrar às gerações atuais, que tudo muda e nada é imutável, e mais, que tudo que existe hoje é resultado de uma construção histórica que se dá de forma lenta e gradual. Não é possível entender o hoje, sem entender a nossa própria história e a história de nossos antepassados.

 Registro fotográfico da Festa de Santana no passado. Homens de terno, gravata e chapéu. Tudo muda, nada é imutável e eterno!

A tradição! Essa inevitavelmente se esvai com o tempo, mas sempre mostra sua força! É um dos pilares do consciente coletivo de um povo. Trata-se de uma teia complexa de valores. Para Karl Marx, por trás de uma estrutura há sempre uma superestrutura, que é um arcabouço ideológico dominante, que tende a manter tudo firme e imutável. Mas não há nada que possa conter a força incontrolável de mudar!

Só um historiador ingênuo poderia render culto à tradição! Pelo contrário, o historiador sabe que nada pode fazer, e ao contrário, tende a manter os registros, os documentos, as manifestações, para que gerações futuras possam entender o que originou o hoje.

A humanidade sempre vive avanços e retrocessos! Os conservadores sempre utilizam experiências do passado para retomar o controle. É por isso que, sempre temos a nos ameaçar: neonazistas, saudosistas de governos militares, neoliberais, pentecostais, etc;

Mas lembre-se! O novo sempre vem e vence! É inevitável! Trata-se de uma força criadora.

Eu já contemplei muitas mudanças na tradicional Simão Dias. Muitas mudanças na tradição religiosa, na educação, nas manifestações culturais e, sobretudo na política. E olha que não sou tão velho assim! Mas os historiadores, mesmo jovens, conseguem avançar um pouco mais em direção ao passado, e perceber as nuances das mudanças.

Não é fácil romper com as tradições, pois é se lançar no horizonte das novidades, no desconhecido. O barco preso ao cais sempre estará seguro! Mas se lançar ao mar, há o risco, a incerteza. Mas há a possibilidade de descobrir novos mundos! Novas opções!

Simão Dias está começando a se libertar dos grilhões da insegurança e passa a se aventurar, inovar e revolucionar. Ninguém é gado marcado, e por mais que velhas lideranças tenham dado sua contribuição, jamais poderão se valer de seus feitos para deixar um povo cativo.

Acampamento dos Sem Terra – Os mais pobres e humildes também são atores da história.

As poucas vezes que fui ao Memorial da cidade, que fica ao lado do cemitério, sempre sai com reflexões inquietantes. A primeira é entender o porquê que no nosso memorial só há fotos de políticos e famílias abastadas. Será que só eles têm história? Só eles fizeram por Simão Dias? Cadê as fotos do povo humilde de Simão Dias? Esses não tem história? Não são agentes da história? O povo do campo e os mais pobres, nada edificaram em Simão Dias?

Não subestimem o povo! São eles os verdadeiros atores de nossa história!